A ECONOMIA TORNOU-SE UMA PSEUDOCIÊNCIA ...

October 11, 2016

 Bem-estar Organizacional

 

Para fazer rir Deus bastará falar-lhe  das mais bem sucedidas teorias económicas da atualidade. Em especial daquelas   que nos colocaram na crise. Para o fazer gracejar bastará contar-lhe a propósito dos planos daqueles que nos tirarão da crise. Isto com todo o respeito, é claro.  Com Deus não se brinca...

 

É que a vida, tal qual o humor, compreende também o mau humor. O problema é que o mau humor não compreende nada! E, a economia tem andado, sorridentemente, diga-se de passagem, do lado do mau humor.

 

E, entre este tentar e a vertigem de não conseguir, vou acreditando que o que é realmente importante na vida, nos negócios, na economia,..., não tem de ser extraordinário. Apenas tem de ser verdade. É aqui que todos os modelos, todas as teorias, quase todos os prémios Nobel da economia parecem ter falhado.

 

O cisma económico moderno

Primeiro, a economia não integra a mente como instancia subjetiva e interdependente. Insisto, é aqui que se funda  a crise  económica contemporânea. Esta é fruto da mais fratricida  de todas as guerras: a luta pelo controlo mental do ser humano.

 

Segundo, também as redes sociais, em tempos vistas como a solução para uma nova economia, se vieram a revelar o seu maior contratempo. E, qualquer coisa que seja, a um mesmo tempo, a solução e o problema não é um dilema. Logo, não pode representar uma escolha. O crescimento exponencial dos factores incontroláveis na economia moderna por via de uma globalização de acesso  democratizado aos meios de comunicação revelou-se desconfortável, essencialmente, para o lado da oferta.

  

Como forma de contrariar estes desafios a economia tem vindo a assumir uma nova doutrina, aproximando-se, agora,  de uma qualquer religião.   A economia, os negócios, assim como todas as religiões, estão  reféns de uma palavra comum: secretismo. Dependendo de códigos secretos, alguns transformados em algoritmos mágicos,  partilhando uma mesma estratégia.

 

Comprometidos com o mito do progresso, religião e economia passaram a ter como objetivo de primeira linha chegar à mente humana. Esta passou a ser o objeto de atenção da atividade empresarial, isto a um mesmo ritmo que a religião, a espiritualidade  e as suas terapias se vão mercantilizando, chegando mesmo a concorrer em muitos dos seus aspetos. Mas, a principal razão para o insucesso de todas elas reside  no facto da mente não estar quieta em si mesma. Não sendo um ponto fixo no espaço, dificilmente ela virá a ser atingida pelos meios tradicionais de suporte à economia.

 

A metáfora mais interessante  a este respeito será a de  conhecermos a orquestra e os músicos. Dominarmos a pauta e os instrumentos. Mas não sabemos quem é, ou onde está, o maestro. Assim, a economia não poderá impor-se na condução da orquestra a que chamamos sociedade, vida, existência.

 

Pseudociência porquê ?

 

Porque se tornou avessa à avaliação, em especial, por parte de especialistas / técnicos de outras áreas, como que querendo ir  por si própria, deixando de ser rigorosa quando à intenção pela qual  se move. Ainda, pela obsessão quanto aos objectivos apenas de alguns. Ou, pela falta de lucidez e sistematização. Por tudo isso, dever-se-á,  quanto a mim,  questionar o seu  estatuto enquanto  ciência social. Atente-se que a validade de grande parte  das suas ferramentas de análise e  suporte, em especial aquelas que se baseiam em processos estatísticos, em nada saírem    afetadas por esta  minha afirmação. A conceptualização  moral terá que ser repensada. Só deste modo poderemos realizar o desafio que esteve na sua origem.

 

Finalmente, não  se faz um mundo diferente com pessoas indiferentes à ideia de um local melhor para todos. Não se pode crescer infinitamente perante uma economia baseada nos recursos finitos de um planeta devassado a favor de  tão poucos. Enquanto não mudarmos as palavras que nos farão avançar o mundo continuará a ser um lugar apenas só para alguns. Em economia isto  significará, por exemplo,  substituir a palavra “crescimento” pela,  tão esquecida, palavra “cuidar”.

 

A ideia que poderá existir um ser humano escravo dos modelos económicos tem-se mostrado falha, só assim se justificando que hoje, neste preciso momento, haja  gente na rua disposta a morrer em defesa do óbvio. E, que mundo é este em que para se ser justo é preciso ser louco?

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