O SILÊNCIO É PRODUTIVO...



Bem-estar Organizacional


Ao contrário do que se julga, para escrever um livro eu não tenho de me disciplinar. O livro escreve-se sozinho, o quadro pinta-se sozinho. O caderno em branco, a tela, estão ali, do mesmo modo que o artista. E tudo acontece...


Com o silêncio passa-se, exatamente, o mesmo. A

fez com que os meus filhos perdessem a

r em algum lugarí permanecemos, simplesmente, como vivemos. Por isso, ninguém se senta em silêncio com o que não é. Desta forma o silêncio torna-se desconfortável para muitos. Porquê?


Tenho para mim que assim é porque este resulta de um espaço e de um tempo não dramatizado. E nós adoramos uma boa tragédia...


Concluindo, para estar em silêncio não é necessário qualquer método ou preparação iniciática, isto ao contrário do que nos tentam vender atualmente os inúmeros cursos e gurus, ainda que todos possam estar muito bem intencionados.


Os meus filhos pertencem já a uma geração sem foco

A ausência do silêncio fez com que os meus filhos perdessem a capacidade de prestar atenção e , com isso, a oportunidade de amar. Um mundo sem foco é um mundo sem atenção. Simone Weil ensinou-nos que amar é estar atento. Para saber a quem amas, bastará perguntares-te , ... ao que estás atento? Estas são qualidades cada vez mais necessárias, em especial, perante aquilo a que costumo chamar sociedade da desatenção. A atenção é a mãe de todas as virtudes. Não há arma mais eficaz. Se tu dás, recebes. A muitos de nós apenas nos faltará isso mesmo, estar atentos.


Assim como na vida prática quanto mais observas mais aceitas. Esta é uma lei matemática.


O esquecimento de si...

Estar em silêncio não é complicado. Difícil é querer estar em silêncio. Confio que por isso surgiram muitos métodos, não tantos para ensinar a estar em silêncio, apenas para ensinar a querer estar em silêncio. Daí surge a mercantilização das almas e dos corpos através de uma panóplia de terapias e de neófitas doutrinas.


Por tal motivo, nos nosso dias o silêncio surge como um ato que nasce do esforço e, com este “silenciar”, a vontade e a razão impõem-se como o argumento mais forte. Acredito que tudo isto deve nascer da entrega e do cuidar, nunca do esforço ou da razão. Certo é que só a atenção nos devolve a nós próprios. Porque ficaria o silêncio fora deste fazer não fazendo? Aliás o zen ensina isso mesmo, quando durmo durmo, quando como como. Então, quando me silencio silencio. Não poderia ser mais fácil...


Um leão enjaulado não é um leão.

Um leão enjaulado é em tudo distinto de um leão. Com o ser humano acontece o mesmo.


Só o silêncio nos possibilita despertar. Mas, esta não é a libertação de uma espécie de cárcere em que a mente nos mantém aprisionados. Não! Despertar é, simplesmente, descobrir que essa prisão não tem, afinal, grades. Nem outro guarda que nós próprios. Por isso o zen nos fala da porta sem porta, do amor sem amor, da religião sem religião.


O silêncio permite-nos, ainda, uma análise profunda sobre as dinâmicas como se criaram e os materiais de que são feitas essas portas, essa grades...


Depois, através dele percebemos que o dar e o receber é um processo natural, assim como o inspirar e o expirar. E, não há nada mais arrebatador que o simplesmente estar aqui, participando integralmente na construção desse momento. Um estar no mundo como que se confundindo com ele próprio.


O silêncio é produtivo !

Nas famílias, nas organizações ou nas salas de aula, os níveis de produtividade e motivação melhoram consideravelmente se treinarmos a prática do silêncio. Bastarão 15 minutos antes de cada reunião, antes de cada aula,...


Claro que, dito assim, parece uma coisa estranha! Parar a mente por 15 minutos antes de uma reunião?! Com treino é possível! O que é que acontece? Ao silenciar os pensamentos, acalmamos as emoções de apego, a aversão gerada por esses pensamentos. Criamos espaço mental.


Este confere-nos maior capacidade de ouvir o outro com imparcialidade, tolerância e, quando necessário, com maior paciência. Esta gestão das emoções e da mente permite participar na reunião, no exercício de aula, de uma forma mais enriquecida, equilibrada e eficaz.


O silêncio cura e liberta, experimente...