"Civilização do Medo" - Gravação do lançamento

August 2, 2017

 

Recentemente, no norte de Portugal, Paulo Vieira de Castro, o director de Bem-Estar Organizacional da I-ACT lançou o seu novo livro "Civilização do Medo" sobre como reconhecer, enfrentar e superar o paradigma baseado no medo. Partilhamos aqui uma gravação, não editada, do evento na FNAC Marshopping em Matosinhos, Portugal, no dia 8 de Junho que teve a casa cheia.

 

Escute esta gravação do lançamento


Adquira esta obra na FNAC e outras livrarias.

Castor de Papel

 

Este é um livro a propósito de como resistir ao medo. Resisto logo existo...

 

Leia aqui um breve trecho do livro:

 

Um carro aproximou-se lentamente, e do seu interior atiraram muitas moedas para o chão. Todos os presentes ficaram como que congelados perante tão desumana atitude. Uma das mulheres que ali estava à espera da refeição quente apressou-se a apanhá-las, devolvendo-as violentamente para dentro do carro enquanto gritava: «Eu sou dona da minha fome! Eu sou dona da minha fome...».

Mesmo vivendo na rua e da caridade, ela não tinha perdido a dignidade. Continuava a ser livre. Naquele preciso momento percebi o que era viver do lado oposto ao medo.

 

Foi aí que soube que o estatuto mais elevado que o ser humano pode almejar é «ser dono da sua própria fome». Só deste modo poderemos ser realmente nobres. Ao contrário do que podemos imaginar, geralmente não é uma mesa farta que nos torna gente.

 

Por isso, muitas vezes, quando me sinto perante a dúvida, recordo-me: «Eu sou dono da minha fome!» Não é fácil vergar o caráter de um homem quando ele já percebeu isso... Só assim nos livraremos do medo.

 

Para melhor resistir ao medo, torna-se necessário perceber que dar e receber são, porventura, um só. Tudo o que dou, dou a mim mesmo: o sorriso que dou, o amor que dou, a paz que dou, a gentileza que dou, a alegria que dou, a irritação que dou. Afirmo-o com demasiada frequência. A intenção com que o fazemos torna-se, deste modo, fundamental.

 

Viemos ao mundo de mãos vazias, retornando do mundo de mãos vazias. Porque temos medo de perder o que nunca será nosso? As pessoas a quem explico o sentido desta minha fé parecem ficar, a toda a hora, boquiabertas. Talvez porque andem demasiado preocupadas em ouvir o que Deus tem para lhes dizer, falhando meramente no que lhe dizem elas. Ante tudo isso, ao ser humano compete resistir, ser inteiro, dispor de si próprio. Só a dignidade pode garantir a desejada autonomia e a necessária liberdade para poder escolher livre do medo.

 

Esta foi uma das mais importantes lições que aprendi na rua a respeito do medo, da compaixão e da miséria humana. Vivemos numa sociedade assustada, tantas vezes, pela fome e pela sede dos outros. E onde é que medo e compaixão se cruzam? Quando o teu medo toca na dor de alguém, faz-se piedade. Quando o teu amor toca na dor de alguém, faz-se compaixão, assim me ensinou Stephen Levine. Só deste modo honraremos todos os que sofrem, pois não estamos separados deles, nem seremos superiores a nenhum tipo de tormento.

 

 

 

 

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