Serenidade e bom-senso ...


Consciência

Quando me perguntavam se eu tinha Facebook, respondia, afectuosamente , com esta frase. Confesso que resisti os meus melhores anos ao inferno das redes sociais. Mas, a ideia de imortalidade é, afinal, comum a todos nós. Pensei, um dia morro mas o meu Facebook ficará para sempre...


Então, um dia lá entrei pela porta grande da rede social mais azul do planeta. Uma vez por lá chegado tropecei, mais do que nas pessoas, numa série de palavras. Aqui, destaco o desrespeito por expressões milenares, em especial aquelas que nos chegam do Oriente. Isso é o que acontece, de certo modo, com a expressão Namastê.


O Silva que há em mim saúda o Silva que há em ti...

Namastê parece ser a forma mais completa de cortesia que conheço. É que ao contrário da simples saudação reverencial que está implícita, esta significará - ainda - qualquer coisa como o Deus que há em mim saúda o Deus que há em ti.


Ao me aperceber que na internet o uso desta palavra divina estava a ser pouco prudente, por brincadeira passei a utilizar uma outra saudação: o Silva que há em mim saúda o Silva que há em ti. Embora tivesse explicado a razão por que o fazia, muito poucos pareceram querer entender isto.


Mas, porque que raios todos querem - afinal - ser Deus e ninguém Silva?!

Ninguém quer ser igual entre iguais (Silva), todos querem o papel principal: DEUS. Aqui reside a origem da esquizofrenia moderna.


Pois é, entre todos os animais do reino, só o homem fantasia a respeito do seu próprio papel no mundo. Depois, em qualquer rede social, podes ser quem quiseres, ninguém te leva a mal, nem mesmo o Jorge Palma... Logo, todos escolhem ser Deus...


Que canseira, pensei...


Pode alguém ser quem não é?!

Presumir tudo de tal maneira será relativizar os problemas do mundo, contudo tenho para mim que a ilusão não está no que se vive, mas tão-somente no poder das nossas escolhas. Até Albert Einstein refletiu sobre isso, concordando muito a seu jeito que a realidade é uma ilusão, embora muito persistente.


Na verdade, no mundo real, aprendi que se tu compreendes, as coisas são exatamente o que são, se não compreendes... as coisas são exatamente o que são. Só há um mundo em que podemos realmente ter uma intervenção divina, então por que não começar pela nossa própria forma de aceitar a vida como ela é?


Tu és do mundo, mas não és o mundo. Tu estás vivo mas não és a vida. Tu tens medo mas não és o medo. Do mesmo modo, tu és um meio para a revelação divina, mas não és o divino. BOLAS! Lá voltamos nós à mesma pergunta. Quem sou eu, afinal?


Lembro-me do dia em que resolvi este desmedido mistério. Bastou, como sempre, mudar a questão. Fundamental será descobrir QUEM NÃO SOU EU? E, isso é bem mais fácil, muito embora infindavelmente mais trabalhoso... Sejam esses dias de Silva, de Sidarta Gautama, de Jesus Cristo... afinal, todos somos o resultado da eternidade que habita numa mesma jornada, aquela que assiste à experiência de estar vivo.

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